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As perspectivas para o setor de óleo e gás em 2019

João Montenegro / Brasil Energia Petróleo      sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

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As perspectivas para o setor de óleo e gás em 2019

Foto: Brasil Energia Petróleo.

 

Notícia publicada originalmente pelo Brasil Energia Petróleo.

 

O ano de 2019 começa com uma dose a mais de otimismo no mercado, mas, na prática, não deve ser muito diferente de 2018, apresentando um volume semelhante de atividades de E&P.

 

Segundo dados da ANP, os compromissos acertados pelas operadoras de blocos e campos de petróleo e gás no Brasil com a ANP preveem a perfuração de 183 poços em 2019, ante os 187 perfurados no ano que passou.

 

Como em 2018, a maioria dos poços se concentrará na Bacia Potiguar (33 no total). No geral, porém, o mapa de perfuração está mais distribuído: as bacias do Espírito Santo e Sergipe – que praticamente não registraram atividade no ano passado – têm, por exemplo, 33 e 24 poços programados para 2019.

 

Já as bacias de Santos e Campos, de onde vem a maior parte da produção de óleo e gás brasileira, terão um nível de atividade um pouco abaixo do visto em 2018, com 31 e 24 poços, respectivamente, ante 33 e 31 no ano passado.

 

Apesar do cenário de relativo marasmo, fornecedores de bens e serviços estão animados com as novas campanhas exploratórias e de desenvolvimento previstas por operadoras privadas (IOCs).

 

“Acreditamos que haverá um crescimento significativo das atividades de perfuração offshore no Brasil”, diz o presidente da BHGE no Brasil, Alejandro Duran.

 

O executivo ressalta que a revitalização de campos maduros será uma das fontes de novas oportunidades de negócios, na medida em que petroleiras independentes, como Equinor, Shell, PetroRio e QGEP,  voltam suas atenções para a Bacia de Campos.

 

“Estamos nos posicionando estrategicamente no início de um novo ciclo de crescimento nessa bacia”, diz.

 

Com forte atuação na área de poços e subsea,  a multinacional aposta em novas soluções para reduzir custos de bens de capital, operacionais, de instalação e comissionamento para ampliar sua penetração no mercado, incluindo, é claro, empreendimentos em águas ultraprofundas.

 

Para o vice-presidente da Weatherford no Brasil, Alaa Abusiam, a chegada de novas operadoras ao país ampliará a demanda por tecnologias de ponta, como os sistemas de Managed Pressure Drilling (MPD).

 

“Estamos olhando para a próxima geração de MPD: como tornar a solução mais leve e inteligente”, conta o executivo. Hoje a companhia norte-americana tem mais de 60 poços em águas profundas com MPD no país.

 

Entre outros negócios em foco estão os de Drill Pipe Risers (DPR) – são 16 sistemas instalados no offshore brasileiro – e completação de poços, além do descomissionamento e abandono de poços.

 

“Estamos conversando com clientes; vemos grande potencial de crescimento na área”, afirma Abusiam.

 

SURF
A previsão é que haja intensa atividade licitatória ao longo do ano, compreendendo desde segmentos como os de poços e subsea ao de manutenção offshore.

 

Até o fechamento desta edição, a Petrobras promovia concorrências para contratação de serviços de interligação submarina (SURF) para Mero 1 e Sépia, no pré-sal da Bacia de Santos, e a expectativa é que a estatal lance as licitações de Mero 2, Búzios V e Revitalização de Marlim ainda em 2019.

 

Num horizonte de dois anos, acredita-se que IOCs como a Equinor e Total buscarão SURF para o desenvolvimento de Carcará e Lapa, também na Bacia de Santos. Na sequência, novas demandas poderão aparecer com Shell e Exxon, além da Chevron, caso o redesenvolvimento de Frade volte aos planos da companhia.

 

O mercado de SURF interessa diretamente a operadores de PLSVs (embarcações de lançamento de linhas flexíveis) como a Sapura, que tem dois de seus cinco contratos de afretamento com a Petrobras previstos para chegar ao fim em 2019.

 

“Estamos atentos a oportunidades que estão surgindo, inclusive fora do Brasil, em projetos que requerem ativos parecidos com os nossos”, observa o CEO da empresa no Brasil, André Merlino.

 

Ele destaca que os PLSVs da Sapura podem também atuar em funções alternativas, como embarcações multipropósito (MPSVs), o que amplia o leque de opções para sua utilização.

 

Além de atender à Petrobras, a empresa trabalha na conexão do gasoduto que ligará um terminal flutuante de regaseificação (FSRU) à termelétrica Porto de Sergipe I, da Celse, em Sergipe.

 

No longo prazo, a empresa considera diversificar ainda mais os negócios, mas sempre dentro do setor de energia, como em projetos de eólicas offshore.

 

Árvores e manifolds
Quem também está de olho nas demandas submarinas é a norueguesa Aker Solutions. A companhia participa de licitações para contratação das árvores de natal molhadas (ANMs) e umbilicais de aço (STU, na sigla em inglês) para o campo de Mero 1, na área de Libra, além de um processo para aquisição de 15 manifolds para a Revitalização de Marlim, na Bacia de Campos.

 

No ano passado, a empresa assinou contrato para fornecer 12 ANMs para Mero 1. Os equipamentos serão construídos na fábrica em São José dos Pinhais (PR), enquanto a etapa de manutenção e DPR – que está incluída no mesmo pacote – será executada na planta de serviços da empresa em Rio das Ostras (RJ).

 

Hoje com 3,6 mil funcionários no Brasil, a Aker quer ampliar sua participação no mercado local.

 

“Estamos montando uma equipe para focar em engenharia de campos maduros aqui no Rio de Janeiro”, revela o vice-presidente de Gestão de Clientes da empresa no Brasil, Woodson Ferreira.

 

Entre os serviços que serão prestados pela equipe, que conta com engenheiros navais e calculistas, estão o projeto de detalhamento (FEED) de campos e o desenvolvimento de plataformas.

 

Outra área em que a empresa seguirá investindo é a de construção e montagem offshore (CMO), na qual atua pela C.S.E. Mecânica e Instrumentação, adquirida em 2017. No ano passado, a Aker assinou um contrato para fazer a manutenção de nove plataformas da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Campos (UO-BC) da Petrobras, e a expectativa é que novas demandas apareçam ao longo de 2019.

 

“Estamos concluindo a mobilização da planta que alugamos da MHWirth, que foi adaptada para apoiar nossas atividades de CMO”, conta Ferreira.

 

Localizada em Macaé (RJ), a fábrica foi inicialmente projetada para produzir sistemas de DPR, mas, com a derrocada do projeto da Sete Brasil, acabou não decolando.

 

Tubulações
Os novos campos e fases de desenvolvimento programados para o offshore brasileiro em 2019 e nos próximos anos também impactam diretamente fornecedores de tubos como a francesa Vallourec.

 

Hoje, a empresa está fornecendo cerca de 90 km de linhas com revestimento térmico e mais 30 km de linhas de importação de gás para a segunda fase de desenvolvimento do campo de Peregrino, operado pela Equinor na Bacia de Campos. Os equipamentos, que serão lançados pela TechnipFMC, foram fabricados nas plantas de Jeceaba e Barreiros, em Minas Gerais.

 

O gerente de Relações Institucionais e Comunicação da Vallourec, Hildeu Dellaretti Junior, relata que as fábricas também têm fornecido para projetos no exterior e, agora, passam por processos de qualificação junto a novas operadoras de óleo e gás no Brasil.

 

“Temos condições de aumentar ainda mais a produção, o que pode resultar na contratação de pessoal”, assinala.

 

Sísmica
Para o ano que vem está programada a aquisição de 1.425 km² de dados sísmicos em ativos na fase de exploração. Desse total, serão 1.195 km² de dados 3D nas bacias de Alagoas (50 km²), Espírito Santos (750 km²), Recôncavo (174 km²) e Sergipe (221 km²), além de 240 km² de dados 2D na Bacia do Parnaíba.

 

Na fase de produção, a estimativa da ANP é que sejam conduzidas 14 campanhas sísmicas, sendo nove em Campos para coleta de 1.378,43 km² de dados, quatro em Santos (3145,45 km²) e uma em Alagoas (4 km²).

 

Em 2018, o Ibama emitiu 22 licenças de aquisição de dados sísmicos, três a menos que no ano anterior, contemplando cinco empresas: PGS (7), Petrobras (7), Spectrum (5), Polarcus (2) e CGG do Brasil (1).

 

As licenças da PGS são para aquisição de sísmica 3D nas bacias da Foz do Amazonas e de Sergipe, e as da Petrobras, para sísmica 4D no Parque das Baleias, e 3D com nodes em Libra e Búzios.

 

Já a Spectrum recebeu licenças para conduzir pesquisas sísmicas 3D na Bacia Potiguar e 2D em Pernambuco-Paraíba, enquanto a PGS e a CGG foram autorizadas a adquirir dados 3D nas bacias de Santos e do Espírito Santo, respectivamente.

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