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A Bacia de Campos mantém seu papel importante para a exploração e produção de petróleo no Brasil

Ineep      sexta-feira, 11 de outubro de 2019

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Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil.

 

A ANP realizou ontem a 16a rodada de licitações de concessões das áreas de petróleo e gás em cinco bacias: Campos, Santos, Camamu-Almada, Jacuípe, Pernambuco-Paraíba e Santos. Somente foram feitas propostas nas áreas de Campos e Santos, sendo arrematados doze blocos. A arrecadação total em bônus de assinatura foi de quase R$ 9 bilhões, com um ágio médio de 322,74% e investimento mínimo previstos superiores a R$ 1,5 bilhão. Segundo os dados da ANP, foram licitadas cerca de 44,6 bilhões de reservas prováveis, sendo que as empresas estrangeiras levaram mais de 90% dessas reservas.


Além disso, o leilão garantiu o compromisso de perfuração de no mínimo seis poços exploratórios, novos mapeamentos sísmicos, demonstrando que ainda há grande interesse das International Oil Companies (IOC) pelas águas profundas e ultraprofundas da Bacia de Campos. As propostas vencedoras para os doze blocos leiloados apresentaram oito operadores diferentes: a Chevron, Repsol, Petronas e Shell ganharam dois blocos como operadoras, cada uma; e a Petrobras, BP, Total e Exxon um bloco cada. 
 

As operadoras mais agressivas nos leilões, com exceção da Petronas, são empresas com tradicional atuação na Bacia de Campos. A Chevron operou, até janeiro de 2019, o campo Frade que atualmente produz cerca de 20 mil barris por dia de petróleo, enquanto a Shell atua na Bacia de Campos produzindo cerca de 45 mil barris por dia, segundo dados do Dieese. A Repsol, embora não seja operadora de nenhum campo atualmente, é concessionaria de Albacora Leste (com 10% do campo) e tem participado de vários leilões na Bacia de Campos. Em 2012, por exemplo, a empresa anunciou descobertas no bloco BM-C-33 na área do Pão de Açucar, cujos testes deram resultados preliminares de 5.000 barris de petróleo ao dia de óleo leve e 807.349 metros cúbicos por dia de gás.
 

A exceção esteve por conta da Petronas que estreou na participação de rodadas de licitações como operadora de forma agressiva, como destaca a reportagem do BrasilEnergia. “A participante da Petronas rendeu, sem dúvida, um capítulo a parte na rodada. A petroleira (...) deixou claro seu apetite por blocos da Bacia de Campos e a determinação de investir pesado no país a partir de agora, dando sinais de que virá pesado também no leilão do excedente da cessão onerosa e na 6ª rodada de partilha. O grupo arrematou um total de três blocos, sendo dois na posição de operadora (C-M- 661 e C-M-715), ambos com 100% de participação, e um em parceria com o consórcio Total (40%) e QPI (40%), onde detém 20%”.
 

Em recente texto divulgado pelo Ineep, os pesquisadores Rodrigo Leão e William Nozaki já deixavam claro que a Petronas tem sinalizando o interesse em ampliar sua atuação no Brasil em vários elos da cadeia petrolífera. Ao tratar da venda das unidades de processamento da Petrobras, os autores destacaram que “atualmente, podem-se apontar como potenciais interessadas para ingressar nas refinarias (...), empresas como: (i) a Shell, que é operadora de campos petrolíferos brasileiros e distribuidora de derivados há mais de uma década; (ii) a malaia Petronas, que já está na cadeia de distribuição de lubrificantes e recentemente comprou campos de exploração de petróleo no país e; (iii) a francesa Total bem como a chinesa CNPC, que recentemente adquiriram ativos de exploração e produção bem como de distribuição no Brasil”.
 

A despeito do menor interesse que as áreas do pré-sal, os movimentos das operadoras que conhecem a Bacia de Campos – Shell e Chevron, principalmente – e a estratégia da Petronas apontam que essa região ainda é central para a exploração de petróleo e gás no Brasil.

 

 

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.