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Balanço do 3º trimestre da Petrobras: venda de ativos e perda da participação no mercado de derivados

Ineep      quarta-feira, 23 de outubro de 2019

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Foto: O Globo.

 

A Petrobras divulga amanhã (24/10), após o fechamento do mercado, o seu balanço do terceiro trimestre 2019. A empresa deverá obter resultados financeiros inflados em decorrência da venda de ativos no montante de 15,2 bilhões obtidos com as vendas do controle da BR distribuidora (9,6 bilhões de reais) e de campos em águas rasas nas Bacias de Campos e Santos (5,6 bilhões de reais). 


Com essas operações não recorrentes, a empresa deverá obter um lucro líquido da ordem de 13,8 bilhões de reais no 3º trimestre de 2019, segundo estimativas do INEEP.  

 

Quando as operações não recorrentes (receitas e despesas) são excluídas da análise financeira, a Petrobras deverá apresentar resultados financeiros recorrentes (lucro líquido e EBITIDA ajustado – lucro antes de juros, depreciação e amortização) muito parecidos com o observado no mesmo período do ano passado, uma vez que o expressivo crescimento da produção de petróleo e gás de 17% foi anulado pela queda de 17% no preço do petróleo em reais. 

 

O INEEP estima que o lucro líquido recorrente e o EBIDITA ajustado do trimestre devam ser da ordem de 5,2 bilhões de reais e de 30 bilhões de reais, respectivamente.

 

Pelo lado produtivo, cabe observar a elevação da produção de petróleo e gás no período que atingiu a marca de 2,264 milhões de barris por dia (bpd) em virtude do aumento da produção de 6 plataformas que entraram em produção em 2018 e 2019, mas que estavam em fase ramp-up – fase inicial do processo produtivo que se trabalha abaixo da capacidade. Essa expansão da produção foi puxada pela exploração em campo do pré-sal (crescimento de 40%) que já representa 60,4% de toda produção brasileira.  

 

Outro destaque diz respeito à situação da área de abastecimento (refino, transporte e comercialização), cujo resultado financeiro deverá ficar estagnado ou apresentar queda em relação ao mesmo período do ano de 2018, apesar do aumento de 0,8% na produção de derivados que ampliou o fator de utilização das refinarias/FUT  (de 78 para 80).


Esse provável resultado negativo deverá ser puxado pela queda de 7% no volume de vendas de derivados para o mercado interno, sobretudo de diesel (decrescimento de 8,7%). 

 

Vale ressaltar que essa queda foi muito maior do que a observada para o mercado brasileiro de derivados. Isso evidencia a redução do market share da Petrobras no mercado de derivados, fruto de sua política de preços alinhada com preço internacional que possibilita a entrada de novos competidores e, ao mesmo tempo, mantém preços elevados para os consumidores. 

 

Dado que a produção de petróleo e gás no período cresceu de forma expressiva sem expansão equivalente do refino, verificou-se uma forte expansão das exportações de petróleo cru de 81%.  

 

Pelo lado do endividamento, os resultados do balanço deverão reforçar a política em curso de acelerada desalavancagem (trajetória de redução da relação dívida líquida/LTM EBITDA). Com as receitas oriundas das vendas de ativos a Petrobrás deverá adiantar o pagamento de dívidas junto aos seus credores, reduzindo o seu nível de endividamento, sem utilizar parte desses recursos para a ampliação dos investimentos que vem caindo trimestre a trimestre desde 2015.

 

Os resultados operacionais e financeiros do balanço do 3º trimestre de 2019 da Petrobras devem evidenciar a estratégia de desinvestimentos, que gera caixa no curto prazo, mas afeta as condições produtivas da empresa no médio e longo prazo em virtude do processo em curso da desintegração vertical que pode aumentar os custos para a Petrobrás, como, por exemplo, o aumento das despesas com o pagamento pela utilização de dutos e terminais com as vendas da TAG e da NTS.

 

Em todo caso, as perspectivas na produção de petróleo, principalmente por conta do pré-sal (em que os custos de extração/lifting cost foi de 6,03 dólares por barril), devem garantir um futuro promissor à empresa, desde que não ocorreram novas turbulências no mercado internacional que reduzam o preço do barril do petróleo. A atual situação financeira da empresa, já permitiria uma nova expansão dos seus investimentos, mas isso dependerá de uma visão estratégica da atual gestão da companhia que parece caminhar em outra direção (o do encolhimento da Petrobras). 

 

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.