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Eólica offshore, caminho natural para petroleiras

Cassiano Viana / Petróleo Hoje      segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

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Foto: Petróleo Hoje.

 

Petróleo HojeOs projetos de eólica offshore são caminho natural para petroleiras e fornecedoras do setor de óleo e gás que planejam utilizar sua vasta expertise marítima em projetos com essa tecnologia. No Brasil, no entanto, ainda estão em fase de pesquisa e prospecção de oportunidades. Enquanto grandes empresas do setor de energia, como a Neoenergia, apresentaram projetos significativos (de mais de 6 mil MW) ao Ibama, apenas a Petrobras entre as petroleiras atuando no Brasil solicitou um licenciamento, para um projeto de P&D de 5 MW.

 

Uma das principais produtoras de petróleo no Brasil, a Equinor opera o primeiro parque eólico comercial do mundo usando turbinas flutuantes: o Hywind Scotland (30 MW), localizado na costa do Reino Unido, que fornece energia renovável para dois campos de petróleo na Noruega: Gullfaks e Snorre. Na mesma região, opera outros dois parques eólicos offshore de grande escala (Sheringham Shoal, 317 MW, e Dudgeon, 402 MW).

 

Outros projetos de eólicas offshore de larga escala também estão em desenvolvimento em outras regiões do Reino Unido, Alemanha, Polônia e Estados Unidos.

 

No Brasil, a Equinor assinou, no ano passado, um Memorando de Entendimento (MoU) com a Petrobras para identificar a viabilidade de projetos eólicos offshore no país. Em 2020, a companhia prevê investir 25% do seu orçamento para pesquisa – que em 2019 somou algo como US$ 219 milhões (NOK 2,6 bilhões) – em soluções de baixo carbono e energias renováveis.

 

Outra gigante petroleira com atuação no Brasil, a Shell tem uma experiência de quase duas décadas em geração eólica offshore: em 2000, fez parte do consórcio que instalou os primeiros aerogeradores offshore no mar do Reino Unido, nas proximidades da costa da cidade de Blyth. Também construiu o primeiro parque eólico do Mar do Norte com capacidade acima de 100 MW, o Nordzeewind.

 

Em novembro deste ano, o grupo acertou a compra de 100% das operações da empresa francesa Eolfi, especializada em tecnologia de aerogeradores flutuantes.

 

A petroleira tem atualmente uma capacidade global de geração de 342 MW de energia eólica (onshore e offshore), e mira projetos com potencial de geração acima dos 5 gigawatts, não apenas na Europa: mercados emergentes como Índia, Coreia, Estados Unidos e Japão também estão no radar do grupo.

 

No Brasil, a anglo-holandesa está ainda em fase de estudos para iniciar seus projetos em fontes renováveis. “O país é um dos principais focos do programa de novas energias do grupo, que prevê investimentos globais entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões anualmente “, revelou a gerente de desenvolvimento de negócios em energia solar para a América Latina da companhia, Gabriela Oliveira.

 

Para especialistas ouvidos pela Brasil Energia, apesar de, no curto prazo, a Petrobras focar na exploração e produção de petróleo, os projetos de energia limpa/renováveis não estão fora do radar da estatal.

 

“A Petrobras não vai querer ficar de fora desse movimento. Além disso, negar projetos de energia limpa é estar na contramão do movimento de grandes empresas, como a Equinor”, avalia Gilberto Figueira, da Macroplan.

 

Além do memorando de entendimento com a Equinor, a companhia desenvolve um projeto de P&D de 5 MW, no Rio Grande do Norte. A Petrobras também fechou parcerias com universidades no país para pesquisar diferentes aspectos do desenvolvimento desses projetos, desde a infraestrutura mais apropriada para a transmissão da energia gerada até a própria estimativa do potencial brasileiro de geração eólica offshore. Mais recentemente, a companhia aprovou parceria com a USP para estudar modelos para abastecer equipamentos submarinos e complementar a geração elétrica das plataformas nas bacias de Campos e Santos.

 

Estudos preliminares realizados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mostram um potencial de geração de energia eólica offshore na costa brasileira de mais de 11 mil GW.

 

Fornecedores

Com o movimento das petroleiras, os fornecedores de serviços e equipamentos da indústria de óleo e gás também diversificam sua oferta. Tradicional fornecedora global do setor, a SBM Offshore foi selecionada para um projeto de três unidades flutuantes offshore a serem instaladas no sul da França.

 

Rafael Torres, da SBM Offshore, observa que, em todo o mundo, atualmente, as oil companies querem ser conhecidas como empresas de energia e não mais como empresas de petróleo.

 

“Considerando a cadeia de suprimentos das oil companies com atuação offshore é natural que busquem alternativas nesta área, principalmente explorando o potencial eólico offshore que é imenso”, comentou.

 

Outros projetos

Além do projeto de 5 MW apresentado pela Petrobras ao Ibama, há outros projetos, como a EOL Asa Branca I, da Eólica Brasil, de 720 MW, no Ceará, e o Parque Eólico Offshore Caucaia, da BI Energia, de 598 MW, também no Ceará.

 

O maior potencial em desenvolvimento apresentado até o momento é o da Neoenergia, controlada pela gigante espanhola Iberdrola.

 

Com o recebimento dos projetos, principalmente ao longo de 2019, o Ibama está propondo um termo de referência para padronizar e tornar mais célere os processos de licenciamento de eólicas offshore. O termo está em consulta pública.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.