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ExxonMobil e Chevron avançam na América do Sul

Ineep      sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

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Foto: Click Petróleo e Gás.

 

Nos últimos 20 anos, a América do Sul deixou de ser uma região de modestas reservas de petróleo para se tornar a segunda maior do mundo, ficando atrás somente do Golfo Pérsico. A ascensão dos sul-americanos na geopolítica energética mundial resultam das descobertas do Rio do Orinoco, na Venezuela; das do pré-sal, no Brasil; das de Stabroek, na Guiana; e das de Vaca Muerta, na Argentina, e mais recentemente, no Suriname. Essas descobertas foram essenciais para que grandes petrolíferas internacionais, como as estadunidenses ExxonMobil e Chevron, passassem a considerar o continente sul-americano uma prioridade no conjunto de seus investimentos.

 

Como já abordado pelo Ineep, a ExxonMobil vem se destacando nas recentes descobertas petrolíferas da Guiana, nova fronteira petrolífera na América do Sul. Em  virtude das novas aquisições, a empresa anunciou um investimento de US$ 200 bilhões em projetos de óleo e gás pelo mundo nos próximos sete anos. E, de acordo com o relatório financeiro de 2018, as principais áreas de investimento da petrolífera estarão localizadas não só na Guiana e na Bacia do Permiano, mas também no Brasil.

 

No que se refere ao Brasil, a petrolífera expandiu seu portifólio ao adquirir 30 blocos exploratórios distribuídos entre as bacias de Campos, Santos, Sergipe-Alagoas, Ceará e Potiguar. Dentro dessas aquisições, as mais promissoras estão localizadas na região do pré-sal, conforme evidenciado na segunda rodada de leilões do pré-sal, realizada em outubro de 2017, ocasião em que a ExxonMobil comprou 40% do bloco Norte de Carcará. Em seguida, na quarta rodada, em junho de 2018, ficou com 28% do bloco Uirapuru e, na quinta rodada, em setembro de 2018, adquiriu 64% do bloco Titã, além do direito de operar este bloco.

 

Considerando somente as aquisições nas rodadas do pré-sal brasileiro sob o modelo de partilha, a ExxonMobil já conquistou uma reserva superior a 5,5 bilhões de barris de petróleo. Sobre o assunto, declarou o porta-voz Todd Spitler: “O Brasil é a nova peça de petróleo convencional mais importante para a indústria de exploração na última década e é um investimento fundamental no futuro da Exxon Mobil”.

 

A petrolífera ainda possui uma indústria petroquímica no município Paulínia, em São Paulo, onde fabrica produtos químicos como solventes aromáticos e oxigenados, borracha sintética, produtos agrícolas, aditivos para lubrificantes, plásticos etc. Além dos investimentos na Guiana e no Brasil, a empresa ainda possui blocos exploratórios na Colômbia, Argentina e Uruguai. 

 

A estadunidense Chevron igualmente buscou desenvolver diversos projetos na América do Sul. A companhia é uma das principais produtoras de gás natural da Colômbia, por meio da parceria com a empresa nacional de petróleo desse país, a Ecopetrol, cujas atividades de produção estão focadas em dois campos de gás natural - o campo offshore de Chuchupa e o campo onshore de Ballena.

 

Na Argentina, em 2014, a Chevron anunciou o desenvolvimento de projetos em campos de xisto na formação geológica de Vaca Muerta, localizada na província de Neuquén. A região possui uma área de cerca de 30.000 quilômetros quadrados e condições para gerar um faturamento de 4,4 trilhões de dólares. Já na Venezuela, a Chevron possui participação em cinco projetos de produção onshore e offshore, sendo que quatro deles em parceria com a PDVSA, estatal venezuelana. Em 2018, a produção líquida média foi de 42.000 bdp/dia e 9 milhões de pés cúbicos de gás natural.

 

Por fim, no Brasil, a Chevron detém seis blocos exploratórios, distribuídos pelas bacias de Campos e Santos. Na quarta rodada de partilha do pré-sal, a empresa ficou com 30% do bloco Três Marias. Na quinta rodada de partilha, adquiriu, em parceria com a Shell, a metade do bloco Saturno, o que representou 23,9% dos 17,4 bilhões das reservas leiloadas. Esses dois blocos colocaram a Chevron com reservas superiores a 4,5 bilhões de barris de petróleo no pré-sal brasileiro. 

 

Convém lembrar que, em março de 2018, a Chevron participou da 15ª Rodada de Licitações da ANP, adquirindo 40% sobre as reservas de quatro blocos, cujos contratos foram firmados pelo modelo de concessão. A empresa pagou à União R$ 310 milhões em bônus de assinatura pelos quatro blocos. Em julho de 2019, iniciou o processo de licenciamento para a exploração do bloco S-M-764. A petrolífera é operadora do bloco com 40% de participação e tem, como sócias no projeto, a Whintershall (20%) e a Repsol (40%).

 

Assim, diante do que foi exposto, observa-se um notável avanço recente das grandes petrolíferas estadunidenses no continente sul-americano. Desse modo, a dimensão geopolítica da atuação crescente das empresas estrangeiras deve ser levada em conta em qualquer análise sobre as mudanças regulatórias, institucionais e estratégicas do setor de petróleo e gás natural da América do Sul.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.