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Governo fará leilão em nova fronteira do petróleo, em área conhecida como Amazônia Azul

Manoel Ventura / O Globo      segunda-feira, 21 de outubro de 2019

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Foto: Brenno Carvalho.

 

O Globo - O governo aprovou, nesta sexta-feira, ofertar blocos exploratórios de petróleo no mar além do limite de 200 milhas náuticas (cerca de 370 quilômetros da costa) estabelecido pelas Nações Unidas (ONU) como a área de exclusividade econômica do país, conforme antecipado pelo GLOBO . O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu incluir seis blocos nessa faixa na 17ª Rodada de Licitações, na modalidade de concessão, marcada para 2020. Toda essa área, junta, pode ampliar as reservas brasileiras em 50%. Com isso, haverá exploração de petróleo em área do Oceano considerada de grande potencial e conhecida como Amazônia Azul.

 

O Conselho também criou um grupo de trabalho que vai tratar da exploração e produção de petróleo e gás natural além das 200 milhas náuticas, na chamada Extensão da Plataforma Continental Brasileira. Nessa área, há hoje exclusividade para aproveitamento econômico do subsolo, pelo Brasil.

 

O governo quer abrir uma nova fronteira de exploração de petróleo à iniciativa privada.

 

- Atualmente, o principal foco é a faixa próxima ao pré-sal, em que, no caso de se confirmar descobertas, há expectativas de se aumentar o volume de reservas de petróleo e gás do Brasil em cerca de 50%, as quais hoje são estimadas em 15,9 bilhões de barris -  informou o Ministério de Minas e Energia.

 

É a primeira vez que o governo fala em estimativas do potencial de petróleo na área fora da Zona Econômica Exclusiva. O limite de 350 milhas náuticas é o novo marco que o Brasil reivindica para sua plataforma continental jurídica junto à ONU desde 2004, com o objetivo de ampliar sua exploração de riquezas minerais no mar.

 

São áreas já estudadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), pelo Serviço Geológico Brasileiro e pela Marinha, que encontraram evidências de reservas não apenas de petróleo, mas também de outros minerais, como cobalto e manganês. Por isso, os militares chamam essa faixa litorânea de Amazônia Azul.

 

Há um entendimento no governo de que, após ter feito o pedido de expansão da plataforma à ONU, uma nação pode ofertar essa área à exploração privada (restrita à extensão do conceito geológico de margem continental).

 

O grupo de trabalho anunciado nesta sexta vai propor eventuais medidas necessárias para sua regulamentação e implementação, mantendo a atratividade dos blocos que ali sejam ofertados.

 

Um ponto favorável à atração de petroleiras para explorar essa nova fronteira é o fato de que, por não estarem situados no chamado polígono do pré-sal — onde a legislação obriga o leilão de blocos sob o regime de partilha da produção entre operador e União —, os blocos próximos localizados além das 200 milhas podem ser licitados sob regime de concessão, em rodadas convencionais da ANP, o que irá ocorrer no próximo ano. Essa modalidade é mais atraente para as petroleiras, que assumem sozinhas o risco da exploração.

 

No total, a 17ª Rodada irá ofertar 128 blocos nas bacias sedimentares marítimas de Pará-Maranhão, Potiguar, Campos, Santos e Pelotas, totalizando 64,1 mil quilometros quadrados de área.

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