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IHS Markit: Brasil em situação vulnerável

Ana Luísa Egues / Petróleo Hoje      segunda-feira, 30 de março de 2020

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Foto: Agência Petrobras.

 

Petróleo HojeO Brasil é um dos países mais vulneráveis do mundo em se tratando da relação entre produção e capacidade de armazenamento de petróleo. Segundo levantamento feito pela IHS Markit, a taxa brasileira é de 1,6 dia, ficando atrás somente da Nigéria (1,5 dia).  

 

Ou seja, em momentos como atual, de forte queda da demanda pelo energético, o país fica mais suscetível à necessidade de cortar a produção. Na quinta-feira, a Petrobras anunciou que reduzirá sua produção em 100 mil bopd em 2020.

 

De acordo com a consultoria, o gap entre a oferta e demanda de petróleo (líquidos) será de 7,4 milhões de b/d no primeiro trimestre de 2020 e de 12,4 milhões de b/d no segundo. Com isso, o excesso de petróleo no mundo no primeiro semestre chegará a 1,8 bilhão, superando a capacidade de armazenamento global, que é de 1,6 bilhão de barris.

 

“Isso significa que mais produção será cortada ou interrompida do que originalmente previsto”, assinalou a IHS em relatório divulgado recentemente.

 

Entre os três maiores produtores de petróleo, a Rússia tem a menor resiliência, com autonomia para oito dias, enquanto a Arábia Saudita poderia armazenar sua produção por 18 dias, e os EUA, por 30 dias.

 

Foto: IHS Markit / Petróleo Hoje.

 

“Dada a trajetória do surto [do Covid-19], é improvável que as próximas semanas forneçam um alívio. Por isso, esse equilíbrio deverá ser alcançado pela oferta, e isso pode ser feito através de shut-ins [limitação da produção] ou através do gerenciamento”, diz Roger Diwan, vice-presidente de Serviços Financeiros da IHS Markit.

 

Volatilidade
Com a redução da demanda global e o aumento da oferta de petróleo, a volatilidade do mercado de petróleo está no nível mais alto de todos os tempos, afirma a Energy Information Administration (EIA).

 

A pesquisa foi feita com base nos índices OVX (crude oil market volatility, que mede somente as variações de preço da commodity) e VIX (equity volatility), que acompanha as mudanças do índice de mercado S&P 500), em relação às alterações diárias do WTI.

 

As queda de 25% do barril texano no dia 9 de março e de 24% no último dia 18, seguidas do aumento de 10% e 24%, respectivamente, nos dias seguintes, registraram a maior volatilidade vista desde a crise financeira de 2008.

 

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.