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Investimentos na indústria de refino: “o caminho da Índia” para superar a falta de combustíveis

Ineep      quinta-feira, 26 de setembro de 2019

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Foto: Prensa Latina.

 

Desde 2001, o consumo primário de energia da Índia mais que dobrou, crescendo 153%. Por essa razão, o governo indiano realizou uma série investimentos para ampliar o seu parque petrolífero de refino.  Esse esforço permitiu que a capacidade de refino indiano saltasse de 2,2 para 4,9 milhões de barris por dia (bpd), entre 2001 e 2018, colocando o país na quarta colocação no ranking dos maiores mercados de refino, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia [1].
 
Em termos quantitativos, o complexo de processamento de petróleo indiano compreende 23 refinarias de petróleo, das quais 18 são de propriedade estatal, 3 de propriedade privada e 2 joint-ventures. Entre essas, destaca-se a “gigante” de Jamnagar, a maior unidade de refino do mundo, com capacidade de processamento de incríveis 1,2 milhões barris por dia. Sozinha, a gigante responde por cerca de 25% da capacidade petrolífera total da Índia, que é de 4,9 barris por dia. A refinaria é propriedade da Reliance Industires, empresa multinacional privada indiana, a segunda maior empresa do setor energético do país, atrás somente da estatal Indian Oil.
 
Para desenvolver de forma tão expressiva sua indústria petrolífera, o governo indiano buscou: (i) realizar investimentos e ampliar a capacidade das refinarias já existentes, que na maior parte dos casos foram construídas nas décadas de 1960 e 1970; (ii) construir novas refinarias, sendo as mais recentes as de Paradip, de Essar, de Numaligarh, de Barmer e de Guru Gobind Singh.
 
A elaboração de um parque industrial voltado para o refino de petróleo foi uma resposta do governo indiano para superar a escassez de reservas de petróleo em seu território. Embora o baixo volume de reservas impeça que a Índia consiga reduzir significativamente sua dependência de petróleo cru, a expansão do parque de refino permitiu ao país diminuir a demanda pela importação de derivados. Ademais, isso permitiu à Índia se tornar o sexto maior exportador de produtos derivados de petróleo, sendo os principais destinos os Estados Unidos e China [2].
 
Em síntese, é notório que, desde o fim da década de 1990, o governo indiano tem adotado uma política energética que buscou uma a ampliação do seu parque de refino para reduzir a dependência externa e atender à demanda interna (terceira maior do mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos e da China). Assim, apesar da quantidade ínfima de reservas, que nem de perto dão conta de suprir a demanda nacional, a Índia se inseriu no mercado global a partir de uma política que buscou o aumento de sua capacidade de produzir derivados de petróleo, como gasolina, diesel e demais mercadorias de maior valor agregado.
 
[1] Ver http://www.mospi.gov.in/sites/default/files/publication_reports/Energy%20Statistics%202019-finall.pdf
 
[2] Ver https://www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy.html

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.