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Noruega faz marketing com redução das emissões, enquanto amplia exploração de petróleo no Brasil

Roberto Moraes      terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

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Foto: Blog do Roberto Moraes.

 

Blog do Roberto Moraes - Este breve texto é um comentário sobre a matéria (aqui) do Valor Online (9 Fev. 2020): "Noruega anuncia nova meta climática de 50% de corte nas emissões de gases-estufa em 2030".

 

A Noruega localizada no norte da Europa faz marketing pela decisão de corte das emissões no seu país. Porém, hoje, através da sua estatal de petróleo, a Equinor, passou a possuir no Brasil – e não mais em seu país - as suas maiores reservas de petróleo. Inclusive depois comprar da Petrobras, a preço de xepa, o campo de Carcará no Pré-sal, tendo tido a ousadia de rebatizá-lo como Bacalhau.

 

Assim, é fácil. Reduzir as emissões de gases do efeito estufa no país com os cortes das emissões de carbono (combustíveis fósseis) no mesmo tempo que amplia as suas reservas além-mar, com o uso de dinheiro de seu fundo soberano, propagandeando e vangloriando-se de ampliação dos esforços na direção do que defende o Painel Internacional sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

 

Parece interessante esse debate. A questão ambiental é tratada como um problema que exige governança global entre nações. Porém, as corporações, mesmo controladas pelas nações (estatais) - ou ainda mais livremente as corporações privadas, agem livremente de forma transfronteiriça. No meio desse imbróglio, os chamados créditos de carbono, não dão conta do essencial, ficam apenas na periferia do problema.

 

Neste sentido, considerando a matriz energética brasileira muito mais limpa que as demais, por conta, em especial dos recursos hídricos (hidrelétricas), as reservas do pré-sal se tornaram ainda mais estratégicas, em termos geopolíticos, para outras nações do capitalismo central.

 

Como economia periférica, o Brasil com essa enorme reserva e simultaneamente, com um gigantesco mercado consumidor aqui mesmo no país, as nações economicamente mais fortes ao investirem no setor de petróleo aqui, podem dizer que por lá, estão investindo na limpeza de sua matriz energética, sem considerar o que suas corporações fazem pelo mundo. No caso, a Noruega diz faça o que a minha Equinor não faz.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.