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Petrobras avança com a venda da Liquigás

André Ramalho e Rita Azevedo / Valor Econômico      quinta-feira, 20 de junho de 2019

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Foto: Valor Econômico. 

 

Valor EconômicoA Petrobras deu início à fase vinculante do processo de venda da Liquigás, a segunda maior distribuidora de gás liquefeito de petróleo (GLP) do mercado brasileiro. Os interessados na aquisição da companhia vão receber, a partir de agora, cartas-convite com instruções sobre os procedimentos de diligência contábil e envio das propostas.

 

As principais líderes do mercado de GLP, fundos de private equity e a Itaúsa estão entre as potenciais interessadas na Liquigás. O Valor apurou que ao menos nove grupos acessaram os dados do processo de venda durante a fase não-vinculante, dentre as quais a Ultragaz, Nacional Gás, SHV, Copagaz, uma trading estrangeira, e os fundos CVC Capital Partners, Advent, Carlyle e Warburg.

 

Depois de ter tido sua oferta de R$ 2,8 bilhões vetada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no ano passado, o Grupo Ultra está novamente no páreo, mas dessa vez apostando num outro formato de negócio. O presidente da holding Ultrapar, Frederico Curado, disse, em entrevista recente ao Valor, que apresentou uma proposta não-vinculante pelo ativo, como sócia minoritária de um consórcio.

 

Na tentativa anterior, a empresa, que controla a Ultragaz, líder do mercado de GLP, tentou comprar 100% da Liquigás. Com o veto do Cade, a companhia teve de pagar uma multa de R$ 286 milhões à Petrobras.

 

Depois do posicionamento contrário do órgão antitruste, a Petrobras reabriu este ano o processo de desinvestimento da Liquigás, mas ajustou as regras e aumentou as restrições à venda da distribuidora de GLP para as principais concorrentes.

 

A estatal não vetou a participação das líderes de mercado, mas, para evitar novos questionamentos do Cade, decidiu que Ultragaz, SHV e Nacional Gás não poderão fazer ofertas sozinhas pelo ativo. O trio poderá comprar a Liquigás em sociedades. E, mesmo assim, com participação limitada. Originalmente, a Petrobras permitiu que empresas com fatia de mais de 10% do mercado podiam entrar como parte de oferta conjunta, desde que não comprassem, individualmente, parcela correspondente a mais de 40% do volume de vendas da Liquigás. A estatal, contudo, fez ajuste nas regras e reduziu o percentual para 30%.

 

De acordo com os dados contidos no "teaser" (etapa de divulgação de oportunidade) da Liquigás, a Ultragaz é líder de mercado com 24% de participação, seguida da própria Liquigás (22%), SHV (20%) e Nacional Gás (19%). A Copagaz possui 8%, a Consigás 3% e a Fogás 2%. Outros agentes dividem 2%.

 

Embora não descarte a venda da Liquigás para os principais agentes do setor, a Petrobras abriu o leque de potenciais interessados para companhias de outros ramos, além de investidores financeiros. A petroleira permitirá a qualificação de companhias que atuem não só na distribuição de GLP, mas também na de gás natural ou combustíveis e na comercialização global de commodities de terceiros (tradings). A estatal permitirá, ainda, a participação de investidores financeiros.

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