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Petrobras descarta investir em renováveis

Ineep      sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

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Foto: Igor Jacome / G1.

 

A diretora financeira da Petrobras, Andrea Marques de Almeida, informou que a companhia está a pelo menos dois anos de distância de dar um passo em direção à energia renovável. Ela ressaltou ainda que atualmente o foco da estatal é gerar mais resultados para os seus acionistas. Tal posicionamento fica evidente frente aos desinvestimentos da estatal, como o recente início da venda de parques eólicos no Rio Grande do Norte.

 

No fim de janeiro deste ano, a Petrobras começou a fase de venda de suas participações acionárias em dois parques eólicos localizados no município de Guamaré, na região da Costa Branca potiguar. As empresas colocadas à venda são a Eólica Mangue Seco 1 e a Eólica Mangue Seco 2. Elas fazem parte de um complexo de quatro parques eólicos, que juntos têm capacidade instalada total de 104 MW. Cada uma dessas usinas colocadas à venda detém e opera um parque eólico com 13 turbinas e capacidade de 26 MW.

 

O interesse na venda de parte de seu pequeno portfólio de ativos eólicos onshore comprova a falta de prioridade da atual gestão destinada à agenda verde e, mais especificamente, à geração de energia renovável. Em contrapartida, outras petrolíferas estrangeiras têm buscado justamente adquirir ativos nesse campo, inclusive no Brasil. Confirmando esse caminho, o presidente da estatal brasileira, Castello Branco, já havia afirmado que não deseja se espelhar necessariamente nas grandes petroleiras internacionais, como a Shell.

 

Segundo apontou em seu relatório sustentabilidade (2018), a Shell vem buscando aprimorar suas fontes de energias renováveis, com o objetivo de reduzir a emissão de carbono na atmosfera para se alinhar aos objetivos do acordo de Paris. A petrolífera anglo-holandesa investiu em projetos de energia eólica e solar, bem como em startups com baixo teor de carbono, preparando-se para a transição energética. Nesse sentido, o presidente da Shell, Ben van Beurden, anunciou que a empresa se esforçará para reduzir pela metade suas emissões de dióxido de carbono até 2035. Além disso, a Shell gastou mais de US$ 2 bilhões em projetos de energia renovável em 2018.

 

Seguindo a tendência global, a BP se comprometeu recentemente em reduzir por completo suas emissões de gases de efeito estufa até 2050, atingindo assim o zero líquido de emissões. O novo executivo chefe, Bernard Looney, afirmou que a BP precisa reunir esforços para seguir a tendência mundial do uso de fontes energéticas limpas. A petrolífera britânica direciona cerca de 4% do seu orçamento anual em investimentos de energia renovável.

 

Enquanto isso, a Petrobras, como já afirmado, não acompanhou o nível de investimentos em energia renovável das suas concorrentes internacionais. A estatal brasileira gasta US$ 70 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento de energia renováveis, valor pequeno se comparado aos citados investimentos da Shell e da BP, por exemplo. Analistas alertam que sua transição lenta representa riscos à sua reputação e compromete sua competitividade futura.

 

Portanto, em mais um âmbito, a Petrobras caminha em direção oposta àquela tomada por muitas grandes empresas do setor, justamente em um momento em que preocupações em torno das mudanças climáticas têm ganhado espaço na agenda global. Cada vez mais, a Petrobras busca ser uma empresa apenas do pré-sal, perdendo a possibilidade de seguir estratégias mais sofisticadas visando o longo prazo.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.