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Petrobras e Total Eren desistem de joint venture

João Montenegro / Petróleo Hoje      quinta-feira, 28 de novembro de 2019

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Foto: Petróleo Hoje.

 

Petróleo HojeA Petrobras decidiu não prosseguir com as iniciativas previstas pelo memorando de entendimento firmado com a francesa Total Eren para analisar o desenvolvimento conjunto de negócios em energia solar e eólica onshore no Brasil. A informação é do vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios na América Latina da empresa francesa, Martin Rocher.

 

“Fomos informados da intenção da Petrobras de não implementar a joint venture. Pelo que nos foi explicado, foi uma decisão interna em função da estratégia da companhia para energias renováveis”, disse o executivo em entrevista à Brasil Energia em Paris, na França.

 

De natureza não vinculante, o acordo foi assinado em julho de 2018. Na ocasião, a Petrobras declarou que a parceria tinha como principais benefícios a diluição de riscos no negócio de energias renováveis e potenciais ganhos de escala e sinergias, visando à transição para uma matriz de baixo carbono.

 

Sob o comando de Roberto Castello Branco, a estatal tem, no entanto, concentrado suas atenções nas atividades de exploração e produção de petróleo no pré-sal, desinvestindo em campos maduros offshore e onshore e nas áreas de biocombustíveis, fertilizantes, refino e transporte e distribuição de gás natural.

 

“O melhor da Petrobras é a exploração em águas profundas e ultraprofundas. A Petrobras possui capital humano altamente qualificado, os melhores engenheiros e tecnologia”, assinalou o presidente da petroleira, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, em junho deste ano.

 

A Petrobras possui quatro parques eólicos em parceria, totalizando 104 MW instalados. Eles foram negociados no Ambiente de Comercialização Regulado (ACR), no leilão de energia de reserva de 2009, e entraram em operação em 2011. A companhia também possui uma planta de pesquisa e desenvolvimento em energia solar fotovoltaica de 1,1 MW no Rio Grande do Norte, onde estão sendo avaliadas as operações de quatro tipos de tecnologia.

 

A Brasil Energia procurou a Petrobras para comentar o assunto, mas a estatal não respondeu até o fechamento da matéria.

 

Apesar da não concretização dos planos com a Petrobras, a Total Eren – na qual a petroleira Total detém 30% de participação – segue otimista com o país, onde conta com 300 MW em em capacidade instalada. O montante inclui 140 MW solares operacionais e 160 MW eólicos em construção – as usinas Terra Santa e Maral, no Rio Grande do Norte.

 

Com início de operação prevista para 2021, os dois últimos empreendimentos foram viabilizados por acordos de compra de energia elétrica (PPA) com a Cemig, com duração de 20 anos. O financiamento deve vir do BNDES e do Banco do Nordeste, de quem a Total Eren quer depender menos no futuro, tendo em vista o aumento das taxas de juros.

 

“A ideia é aumentar o uso de capital market. Esperamos ver mais contratos denominados em reais e em dólares em futuros projetos”, observou Rocher.

 

Segundo o executivo, a Total Eren está interessada tanto em leilões públicos de energia quanto novos PPAs privados, que ele vê como complementares. A intenção é ter um mix de contratos, incluindo posições de curto prazo via mercado spot.

 

“Isso é um forte efeito da liberalização vista nos últimos anos. O mercado brasileiro está evoluindo, com mais diversificação de suprimento e naturezas de contrato para um mesmo projeto”, ressaltou.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.