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Petroleiras adotam tom de cautela sobre megaleilão

André Ramalho e Rodrigo Polito / Valor Econômico      terça-feira, 5 de novembro de 2019

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Foto: InfoMoney.

 

Valor EconômicoOs sinais dados pela Petrobras, de que “entrará para ganhar” no leilão dos excedentes da cessão onerosa, contrastam com o discurso de seus pares globais. Entre as principais petroleiras do mundo, a postura tem sido de discrição e cautela, às vésperas da rodada que exigirá o desembolso de R$ 106,5 bilhões apenas em bônus de assinatura. Em mensagens a investidores, nos últimos dias, as multinacionais têm pregado responsabilidade na alocação de capital. O que dessas declarações é uma real preocupação quanto à rentabilidade da concorrência e o que é blefe, dentro do jogo pré-leilão, só ficará claro após a rodada.

 

O Valor apurou com uma fonte que acompanha a movimentação da rodada que a Petrobras tem exigido, nos bastidores das negociações, valores altos pela compensação financeira que as vencedoras terão de lhe pagar pelos investimentos já realizados nas áreas da cessão onerosa. A situação tem deixado as empresas receosas. Segundo a fonte, esse cenário explica o fato de a Petrobras estar se mostrando mais disposta a entrar com fatias maiores nos consórcios em negociação.

 

Diante desse quadro, as estrangeiras passaram a olhar com mais atenção para a 6ª Rodada, marcada para quinta-feira. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, afirmou recentemente que as ofertas da Petrobras por Búzios e Itapu devem garantir o sucesso do leilão.

 

Por detrás da cautela das multinacionais, estão, também, as altas cifras envolvidas. A Wood Mackenzie destaca que o leilão é “superlativo” em seus números, não só pelos grandes volumes de óleo (de 6 bilhões a 15 bilhões de barris, segundo a ANP). A consultoria calcula que as vencedoras terão de desembolsar US$ 67,5 bilhões nos próximos anos, entre bônus de assinatura, investimentos futuros nos campos e o pagamento da compensação à Petrobras.

 

O diretor financeiro da Equinor, Lars Bacher, destacou que “toda petroleira séria precisa olhar para a cessão onerosa”. Ele disse, porém, que há uma “longa lista” de valores envolvidos na rodada que precisam ser considerados, como o bônus, o pagamento da compensação financeira à Petrobras e os investimentos futuros nos ativos.

 

“Não aceitaremos que [rentabilidade da nossa carteira de ativos] se deteriore como consequência de uma grande aposta em qualquer coisa nesse processo do leilão dos excedentes. E para ser sincero, no Brasil já temos muito em jogo. Então, se conseguimos algo nisso [na rodada], tudo bem. Se não, tenho mais do que suficiente no prato”, disse Bacher, a investidores.

 

Shell e Petrogal são sócias da Petrobras no campo de Oeste de Atapu, no pré-sal da Bacia de Santos, e são apontadas como candidatadas a comprar a área de Atapu, cuja jazida se conecta à de Oeste de Atapu. 

 

A postura das duas empresas, no entanto, tem sido de cautela. A diretora financeira da Shell, Jessica Uhl, afirmou a investidores que o leilão dos excedentes se trata de uma “área potencial” para garantir o crescimento da petroleira, mas que os ativos à venda precisarão “competir por capital, como qualquer outra oportunidade”.

 

O presidente da Galp, Carlos Gomes da Silva, afirmou que a rodada tem “termos e condições exigentes” e que olha para a licitação “com muito cuidado”. “Manteremos a disciplina financeira, embora, do ponto de vista estratégico, faça todo o sentido [participar da rodada]”, disse a investidores.

 

Ao todo, 13 estrangeiras se habilitaram para a rodada. BP e Total já declinaram. No caso da francesa, o diretor financeiro Jean-Pierre Sbraire explicou que o bônus da rodada “não se enquadra nos critérios” da empresa. A lista de inscritas inclui ainda a Chevron e ExxonMobil (EUA), CNODC e CNOOC (China), Petronas (Malásia), QPI (Catar), Ecopetrol (Colômbia) e Wintershall Dea (Alemanha).

 

A Chevron é outra a sinalizar que os excedentes podem não se encaixar dentro de sua estratégia. Vice-presidente de exploração e produção, Jay Johnson comentou que a companhia “está muito feliz com a base de recursos existente”, o que, em certa medida, se contrapõe ao perfil do leilão, que ofertará volumes já descobertos. “Concentramo-nos principalmente em recarregar nossa área de exploração, porque estamos olhando para adições de recursos no futuro”, disse.

 

 

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