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Petroleiras se preparam para elevar exportação com pré-sal

André Ramalho / Valor Econômico      quarta-feira, 10 de julho de 2019

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Foto: Portos e Navios.

 

Valor Econômico - Com o aumento da produção do pré-sal, as petroleiras se preparam para elevar também as suas exportações. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estima que os embarques de óleo bruto, para o exterior, podem mais do que triplicar até 2030. Diante desse cenário, as companhias do setor se movimentam em busca de opções logísticas para facilitar o escoamento da produção e, assim, se posicionar estrategicamente num mercado global cada vez mais disputado pelas petroleiras de todo o mundo.


Ao contrário das multinacionais que produzem no país, a Petrobras já não tem mais renarias no exterior e terá um desao adicional na busca de mercados para o seu petróleo. Nesse sentido, a estatal inaugurou, em junho, uma tancagem de óleo cru no Porto de Qingdao,na China, com capacidade para armazenar 2 milhões de barris. Com a nova infraestrutura, alugada de terceiros, a companhia conseguirá reduzir prazos de entrega, melhorando sua posição num mercado essencial. A China consome 75% dos 600 mil barris/dia que a estatal exporta.
 

No Brasil, a Petrobras também tem buscado novas bases logísticas, para além de seus terminais próprios. Em março, assinou contrato com a Açu Petróleo, joint venture entre a Prumo Logística e a alemã Oiltanking, para operações de transbordo no Porto do Açu, em São João da Barra, Norte do Estado do Rio. A Açu Petróleo, aliás, vê no aumento das exportações uma oportunidade e tem planos de construir um terminal para tancagem e tratamento de óleo cru no porto. 

 

Outra empresa que vem se movimentando é a norueguesa Equinor, que também assinou este ano com a Açu Petróleo um contrato de operações “ship to ship” (transferência de petróleo entre navios-tanques atracados no terminal do Açu). A Shell e a portuguesa Galp também possuem contratos do tipo no Açu. Para o professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar Almeida, a logística de exportação não requer grandes investimentos em infraestrutura, já que o transbordo é geralmente feito em embarcações, sem necessidade de construção de infraestrutura em terra. Ele comenta, porém, que mudanças estruturais do mercado exigirão um grande esforço comercial. “A geopolítica do petróleo está mudando de uma geopolítica da oferta, da disputa por acesso a reservas, para o que pode se tornar, no futuro, uma geopolítica da demanda, uma disputa por acesso a mercados. Desde a revolução da indústria de óleo e gás não convencional nos Estados Unidos, todo mundo está buscando exportar para o mesmo lugar: a Ásia”, afirma.

 

 

Ele cita o movimento da Saudi Aramco, maior produtora do mundo, que tem investido em renarias, na Ásia, como forma de garantir mercado cativo para sua oferta. “Nesse ambiente acirrado, a Petrobras não poderá car dependente de poucos clientes” , opina.

 

Para o também professor da UFRJ e ex-diretor da ANP, Hélder Queiroz, existem ainda outras incertezas sobre o comportamento da demanda no futuro. “Ainda não sabemos em que ritmo se dará a substituição do petróleo, diante da eletricação da frota de carros no mundo, nem em que cenário de preços esse crescimento da produção brasileira se dará, se conrmado” , comenta. Segundo a ANP, o Brasil tem potencial para exportar entre 4 milhões e 5 milhões de barris/dia de óleo em 2030, o equivalente a 53% a 66% da produção nacional prevista. A média de exportações ultrapassou pela primeira vez, em 2018, o patamar de 1 milhão de barris/dia e mantêm a sua trajetória de alta. Em 2019, a média de exportações acumula, até maio, uma alta de 33% na comparação anual, para 1,4 milhão de barris/dia.

 

Com isso, o Brasil se posicionará cada vez mais como um dos principais exportadores do mundo. A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o país será, depois dos EUA, o principal responsável por suportar o aumento da demanda mundial até 2024, ajudando a compensar o declínio do Irã e Venezuela.

 

O aumento das exportações brasileiras será acompanhado de uma maior participação das grandes petroleiras globais no mercado nacional. A tendência é que a estratégia das multinacionais, de exportar suas produções no Brasil, se acentue, já que o mercado interno não é suciente para absorver toda a produção esperada nos próximos anos.

 

A pesquisadora da FGV Energia, Fernanda Delgado, defende a necessidade de o Brasil não se expor a uma lógica de exportação pautada somente em óleo cru. Caso contrário, segundo ela, haverá um desbalanceamento da balança comercial brasileira. “As implicações desse cenário seriam o desequilíbrio da entrada e saída de divisas do país, já que nos tornaríamos grandes exportadores de petróleo cru e importadores de derivados. O ideal é que nos transformássemos em fornecedores de produtos de maior valor agregado, como petroquímicos e derivados” , defende.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.