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Petróleo barato põe em xeque exploração no país

André Ramalho e Rodrigo Polito / Valor      quarta-feira, 25 de março de 2020

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Foto: Aline Massuca / Valor.

 

Valor - Nos primeiros dias de março, duas petroleiras de tamanhos e perfis bem diferentes - a multinacional Shell e a pequena produtora brasileira Nova Petróleo - deram início às duas campanhas de exploração de óleo e gás mais recentes do país. Enquanto as brocas começavam os seus trabalhos, as companhias não imaginavam que, na semana seguinte ao início das perfurações, os preços do petróleo derreteriam praticamente pela metade, dos patamares até então em US$ 50 para US$ 27 na cotação de ontem. A desvalorização da commodity, agora, lança dúvidas se o ano que se desenhava promissor para a atividade de exploração no Brasil se confirmará.


Depois que as petroleiras desembolsaram R$ 42 bilhões nos leilões de áreas exploratórias desde 2017, havia a expectativa de que a partir de 2020 as campanhas de perfuração se intensificariam, girando a roda da indústria de bens e serviços.


Acontece que as perspectivas para a indústria petrolífera mudaram abruptamente. Ao menos nove petroleiras que atuam no Brasil anunciaram, desde a semana passada, cortes nos investimentos e gastos. A lista inclui gigantes como a Shell, Total e Chevron; a Ecopetrol e Murphy Oil; e pequenas e médias companhias como a Geopark, Premier Oil, Maha Energy e a brasileira PetroRio. A consultoria Wood Mackenzie estima que os gastos globais do setor de exploração e produção podem cair mais de 25% em 2020.


Embora o Brasil seja prioritário para muitas petroleiras, o quadro não é otimista. A exploração costuma ser um dos primeiros itens da lista de cortes em tempos de crise. Resta saber se o país passará incólume. Enquanto algumas companhias já confirmaram o adiamento de perfurações no Brasil, como a PetroRio e a Maha Energy, outras mantêm os planos. A ExxonMobil, que espera começar a perfurar nas bacias de Santos, Campos e Sergipe a partir deste ano, informou que não há alterações nos planos para o Brasil. A Eneva, por sua vez, divulgou planos de perfurar sete poços em terra no país em 2020.


“A exploração no Brasil tende a sentir os efeitos da crise, sim. Em tempos de preços baixos, com caixas apertados, as empresas costumam frear investimentos com estruturas de custos mais altos. Embora o pré-sal seja extremamente produtivo, a perfuração de poços nessa região, em águas ultraprofundas, é cara”, comenta o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Hélder Queiroz.

 

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, também acredita que a redução das atividades no mundo todo, inclusive no Brasil, será inevitável. “Mas a medida que os investimentos se recuperem, o pré-sal está muito bem posicionado entre as prioridades”, afirmou.


Principal vetor das atividades de exploração em mar, no Brasil, a Petrobras ainda não deu maiores detalhes sobre suas atividades. A empresa pediu a liberação de US$ 8 bilhões em linhas de crédito compromissadas junto a bancos, para reforçar o caixa, e informou que está avaliando outras medidas que reforcem ainda mais seu fluxo de caixa, como a redução adicional de custos e otimizações de seu capital de giro.


O plano de negócios da Petrobras prevê oito perfurações no pré-sal neste ano - em 2019, ela fez perfurações offshore em quatro áreas. Questionada se manterá o programa, a estatal respondeu que é prematuro fazer projeções sobre eventuais impactos estruturais e perenes no mercado associados à recente e abrupta variação nos preços do petróleo. A companhia esclareceu que segue monitorando o mercado e implementando seu plano estratégico, “que a prepara para atuar com resiliência em cenários de preços baixos”.


Shell e Equinor são exemplos de empresas que sinalizaram com planos de aumentar as perfurações no país a partir deste ano. Questionada se manterá os planos, a Equinor disse que começou a implementar medidas para reduzir custos operacionais, investimentos e gastos com exploração globalmente, sem especificar as atividades no país. A Shell disse que ajustes nos planos de investimentos constituem “atividade natural” e que diferentes fatores influenciam a tomada de decisão, “não apenas momentos de retração”.

 

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.