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Plano Estratégico da Petrobras surpreende o mercado

Claudia Siqueira / Petróleo Hoje      sexta-feira, 29 de novembro de 2019

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Foto: Petróleo Hoje.

 

► Petróleo Hoje - O mercado reagiu com surpresa ao Plano Estratégico da Petrobras para o período 2020-2024, divulgado na quinta-feira (28/11), contemplando investimentos totais US$ 75,7 bilhões e impondo um corte de 10% em relação ao montante de US$ 84,1 bilhões do plano anterior (2019-2023).

 

Além dos investimentos, outro indicador que chamou a atenção foi a revisão para baixo da meta de produção para o próximo ano. O valor do primeiro plano da gestão de Roberto Castello Branco coloca a petroleira de volta ao patamar das premissas definidas em 2017 e 2016 para os planejamentos de 2018-2022 e 2017-2021.

 

Ainda que as estimativas da Petrobras garantam que a curva de produção seguirá crescendo sob ritmo satisfatório a partir de 2020, garantindo o atingimento das metas até 2040, a revisão do volume do próximo ano não foi bem vista pelos analistas de mercado. O corte nos investimentos provocou certo desânimo entre executivos ligados à indústria fornecedora de bens e serviços.

 

A expectativa era que a petroleira mantivesse o patamar de investimentos inalterado ou pelo menos acima do montante de US$ 80 milhões. Entre os fornecedores, não havia expectativa de aumento, mas também não era esperado um corte de US$ 8,4 bilhões, até por conta da estratégia da petroleira de se comprometer com cifras bilionárias ao adquirir as áreas de Búzios, Itapu e Aram nos leilões recentes.

 

O novo plano reforça a percepção do mercado de que a Petrobras gastou mais que o planejado nas duas rodadas de licitações de novembro. Com o cobertor curto e voltado a reduzir seu endividamento, fontes avaliam que, na prática, faltou caixa.

 

Outra surpresa foi a nova estratégia da companhia de não detalhar de primeira os indicadores do plano para analistas do Brasil. Ao contrário dos processos anteriores, conduzidos por ex-presidentes da petroleira, Roberto Castello Branco decidiu priorizar investidores estrangeiros, fazendo as primeiras apresentações no exterior,  na quarta-feira (4/12) em Nova York e na sexta-feira (6/12), em Londres.

 

Mantendo-se focada às atividades de E&P, sobretudo no pré-sal, a Petrobras destinará US$ 64,3 bilhões ao segmento, o que representa 85% do montante total. Embora percentualmente seja o maior, o investimento impõe um corte de quase 5%, ante o valor de US$ 68,8 bilhões do plano de 2019-2023.

 

A Petrobras prevê a entrada em operação de um total de 13 novos sistemas de produção no período de 2020 a 2024. Com parte dos sistemas já em construção e também com processo de licitação em curso, a petroleira irá ao mercado para contratar três novos FPSOS.

 

A meta de produção para 2020 é de atingir 2,7milhões de boepd, volume igual ao programado para ser alcançado no final de 2019. A projeção é que o volume de óleo extraído pela petroleira em 2024 atinja a marca de 3,5 milhões de boepd.

 

Os outros US$ 11,4 bilhões de investimentos serão divididos entre os demais segmentos de atuação da companhia, como Refino, Gás e Energia e Tecnologia. O orçamento de cada uma das áreas só será divulgado na próxima semana no evento do exterior, chamado de Petrobras Day.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.