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Suriname desponta como novo ator petrolífero na América do Sul

Ineep      sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

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Foto: Total.

 

Com geologia marítima semelhante à da vizinha Guiana, nação cujas descobertas petrolíferas se tornaram mais frequentes nos últimos anos, a República do Suriname pode ingressar no grupo das potências energéticas da América do Sul. A antiga colônia holandesa foi local das mais recentes descobertas petrolíferas de 2020, ocorridas no poço offshore de Maka Central, localizado no bloco 58. Os custos destinados à produção do bloco e os lucros dele provenientes serão divididos entre a francesa Total (50%) e a estadunidense Apache (50%), esta última responsável pela perfuração dos três poços iniciais, transferindo posteriormente os direitos de operação para a Total.

 

A descoberta no Suriname, aliada às anteriores ocorridas na Guiana, aumentam consideravelmente as expectativas mundiais em relação ao potencial energético e econômico da região. Nesse sentido, o vice-presidente de exploração da Total, Kevin McLachlan, declarou: “Estamos muito satisfeitos com esta primeira descoberta significativa de petróleo, feita logo após a nossa entrada no Bloco 58. O resultado é muito encorajador e comprova a extensão de petróleo da Guiana nas águas do Suriname".

 

Neste país, os blocos marítimos foram adquiridos pelas grandes petrolíferas internacionais, por meio de acordos de partilha de produção (PSC, na sigla em inglês). O bloco 59, outro bloco promissor por estar localizado na fronteira com a Guiana, foi comprado por um consórcio formado pela ExxonMobil (33%), pela Statoil (33%) e pela Hess (33%).

 

Em 2017, o consórcio fechou um acordo com a estatal surinamesa Staatsolie, a petrolífera responsável por assinar e negociar contratos de petróleo em nome do governo. A Staatsolie possui 14 contratos PSC, sendo que 12 deles estão localizados em blocos offshore. Segundo o governo do Suriname, os contratos PSCs obrigam as empresas internacionais de petróleo a destinar certa quantia por ano para o desenvolvimento da comunidade e do setor petrolífero no país.

 

Para expandir sua estrutura, adquirir recursos financeiros e começar a participar dos empreendimentos offshore no país, a Staatsolie manifestou interesse em listar suas ações em bolsas de valores internacionais. Até a descoberta de Maka, a estatal operava todo o setor upstream do Suriname, que se limitava a dois campos terrestres chamados de Calcutá e Tambaredjo. Se obtiver êxito no seu plano de expansão, a Staatsolie poderá se valer de seu direito de reserva, que lhe dará a possiblidade de comprar uma porcentagem (entre 10% e 20%) de todas as descobertas do Suriname.

 

O governo do Presidente Desi Bouterse, acusado pela oposição de ser corrupto e de violar direitos humanos, buscou aprofundar as relações comerciais com a China, nação que emprestou mais de US$ 800 milhões para financiar obras e projetos no Suriname. Com essa função de credor, a China e suas petrolíferas certamente buscarão obter maior acesso aos recursos naturais do Suriname.

 

Nota-se, portanto, que as recentes descobertas das reservas de petróleo nas áreas marítimas das nações ao norte da América do Sul têm atraído a atenção das grandes petrolíferas do mundo, contribuindo para modificar a geopolítica da região e fortalecendo, nesse caso, a importância da Guiana e do Suriname como robustos produtores de petróleo.

 

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Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.