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Vazão de gás no pré-sal crescerá 45% até 2023

Ana Luísa Egues / Petróleo Hoje      sexta-feira, 27 de março de 2020

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Foto: Petróleo Hoje.

 

Petróleo HojeA falta de infraestrutura de processamento e escoamento e a demanda inconstante de consumo de gás natural são, no momento, os principais entraves para que o gás natural produzido no pré-sal seja inserido na matriz energética do país. A constatação é do “Estudo sobre o Aproveitamento do Gás Natural do Pré Sal”, publicado pela ANP na quarta-feira (25/3).

 

A pesquisa mostra que a produção de gás na camada geológica crescerá aproximadamente 45% nos próximos três anos, saltando de cerca de 75 milhões de m³/d para pouco mais de 110 milhões de m³/d. Em paralelo, o volume de gás reinjetado passará de 42 milhões de m³/d para 60 milhões de m³/d no período.

 

“São volumes representativos que poderão atender às necessidades de consumo de diversos setores e indústrias, caso seja possível o escoamento para o mercado, excluindo-se o volume necessário para a manutenção da pressão nos reservatórios e tratamento do CO2”, diz a ANP.

 

A maioria dos operadores opta pela reinjeção do gás natural devido ao alto teor de CO² encontrado em boa parte dos reservatórios do pré-sal, como o campo de Mero, que possui um teor de 40% a 45% de CO². Essa concentração impede a exportação, visto que a quantidade máxima de gás carbônico permitida é de 3%.

 

Foto: ANP / Petróleo Hoje.

 

Para que todo esse volume seja escoado devidamente, a ANP defende as seguintes recomendações:

 

i) a construção e a operação compartilhada de gasodutos em áreas próximas, mesmo que sejam de consórcios diferentes, para a otimização de tempo e recursos;

 

ii) a oferta do gás da União ao mercado, visto que a Petrobras se comprometeu, por meio do TCC com o Cade, a não contratar novos volumes de gás de terceiros;

 

iii) a obrigação para que o operador apresente um estudo detalhado determinando a vazão mínima de injeção de gás ao longo da produção de um campo, se esse campo possuir reservas significativas de gás; e

 

iv) a articulação com os principais setores consumidores de gás natural, que possam servir como a “demanda firme” para esse gás do pré-sal; entre outras medidas.

 

A ANP também defende outras formas de monetização do gás natural, como nos modelos gas-to-wire (GTW), que prevê a conversão do gás excedente em energia via termelétricas, e gas-to-liquids (GTL), que transforma o insumo em combustíveis líquidos (diesel, QAV e lubrificantes sintéticos) ou petróleo sintético.

 

O estudo foi coordenado e desenvolvido pela agência reguladora, em conjunto com o MME, EPE, PPSA e o BNDES. A Casa Civil da Presidência da República também acompanhou a evolução dos trabalhos por meio de representantes do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

 

A pesquisa foi publicada na íntegra no site da ANP.

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Nota editorial

Os textos publicados neste blog são de responsabilidade dos seus autores e não refletem necessariamente a linha programática e as opiniões do Ineep. A função do blog é divulgar os principais fatos e notícias do setor petróleo e, quando oportuno, analisar assuntos relevantes. São essas análises, elaboradas pelo Ineep, que apresentam a opinião do Instituto sobre os mais diferentes assuntos debatidos na conjuntura setorial.